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Plantas em Vasos

Como escolher o vaso certo para cada planta

Para saber como escolher vaso para plantas, olhe primeiro o furo no fundo e o tamanho. Depois, escolha o material pelo seu jeito de regar. O furo é obrigatório para quase todas as espécies. O tamanho certo fica entre 2 e 5 centímetros a mais de diâmetro que o torrão atual, que é o bloco de terra e raízes que sai do vaso antigo.

O material resolve o resto. Vaso de barro perde água pelas paredes e seca mais rápido, bom para suculentas e para quem rega demais. Vaso de plástico segura umidade por mais tempo e combina com folhagens tropicais e com quem esquece de regar.

Errar o vaso costuma matar a planta devagar, pela raiz, sem sinal claro nas primeiras semanas. Acertar nesses pontos evita a maior parte do problema.

Vasos de barro, plástico e cerâmica com furo, exemplo de como escolher vaso para plantas


​O furo no fundo vem antes da aparência

Vaso sem furo acumula água no fundo, onde você não vê. As raízes de baixo ficam sem ar, apodrecem, e a planta murcha como se estivesse com sede. Muita gente rega mais nessa hora e acelera o estrago.

Se você gosta de um vaso decorativo sem furo, use-o como cachepô, que é o vaso de fora, só para enfeite. Plante num vaso plástico com furo, do tamanho certo, e encaixe dentro do cachepô. Depois de cada rega, levante o vaso de dentro e jogue fora a água que escorreu.

Furar um vaso também é possível. Plástico fura fácil com furadeira comum. Cerâmica e barro pedem broca própria para cerâmica ou vidro, velocidade baixa e um pouco de água no ponto do furo para não rachar.

Coberturas de pedrinha ou argila expandida no fundo ajudam menos do que parece. A água tende a ficar retida no substrato logo acima delas antes de escorrer. O que garante a drenagem é o furo livre e um substrato leve. Uma manta de drenagem ou um pedaço de tela sobre o furo basta para a terra não sair.

​Tamanho do vaso: nem apertado, nem sobrando

A regra mais segura é subir um tamanho por vez. Para plantas pequenas e médias, escolha um vaso de 2 a 5 centímetros a mais de diâmetro que o torrão. É a mesma faixa que o centro de jardinagem da Clemson University, nos Estados Unidos, recomenda para plantas de interior. Para plantas grandes, de 5 a 10 centímetros.

Vaso grande demais parece um presente para a planta, mas cria um problema. A terra que as raízes ainda não alcançaram fica úmida por dias, sem ninguém para consumir aquela água, e favorece fungos e apodrecimento. Uma muda de jiboia num vaso de 40 centímetros sofre mais do que no de 15.

A profundidade também conta. Suculentas, cactos e violetas têm raízes curtas e vão bem em vasos mais rasos e largos. Espada-de-são-jorge pode crescer em vaso fundo e estreito, porque as folhas sobem retas. Temperos como alecrim e manjericão pedem pelo menos 20 centímetros de terra. Palmeiras e plantas que vão crescer muito precisam de vaso fundo e pesado, para não tombar.

​Vaso de barro ou plástico: o que muda na rega

Cada material segura a água de um jeito, e é essa diferença que pesa na escolha.

O barro sem esmalte, também chamado de terracota, é poroso: a água passa pelas paredes e evapora. A terra seca mais rápido e as raízes recebem mais ar. Por isso, combina com suculentas, cactos, orquídeas e ervas como alecrim e lavanda. Em contrapartida, é pesado, quebra com facilidade e pede rega mais frequente no verão.

O plástico não deixa a água sair pelas paredes, então a terra fica úmida por mais tempo. É leve, barato e funciona bem para folhagens que gostam de umidade, como jiboia, lírio-da-paz e samambaia. Para quem rega demais, o risco de encharcar é maior.

Cerâmica esmaltada se comporta como plástico na rega, porque o esmalte veda os poros. É pesada e bonita, boa para plantas grandes de sala. Veja só se tem furo, porque muitos modelos são vendidos sem.

Vaso de cimento é resistente e pesado, bom para áreas externas. Novo, ele pode liberar cal e deixar a terra alcalina. Encha de água e troque algumas vezes ao longo de uma semana antes de plantar.

Fibra de coco é uma alternativa leve e natural para orquídeas e bromélias. O xaxim, usado antigamente, vem de uma samambaia nativa da Mata Atlântica ameaçada de extinção. A Resolução Conama nº 278, de 2001, proibiu o corte e a exploração dessa espécie.

Vaso autoirrigável, com reservatório no fundo, ajuda quem viaja ou esquece de regar. Funciona melhor para folhagens que gostam de terra úmida. Para suculentas e cactos, eu não usaria.

​Vaso certo para cada tipo de planta

Juntando tamanho e material, dá para montar algumas combinações que funcionam na maioria das casas.

  • Suculentas e cactos: barro, raso e largo, com furo grande. Substrato próprio para elas, com bastante areia grossa.
  • Folhagens tropicais, como jiboia, costela-de-adão e lírio-da-paz, vão bem em plástico ou cerâmica esmaltada, com furo e um tamanho acima do torrão.
  • Orquídeas: vasos com furos também nas laterais, de barro, plástico ou fibra de coco. Para phalaenopsis, a orquídea mais vendida em supermercado, há vasos plásticos transparentes, que deixam a luz chegar às raízes e mostram quando elas estão secas, prateadas, ou úmidas, verdes.
  • Temperos pedem vasos ou jardineiras com pelo menos 20 centímetros de fundo. Manjericão e salsinha toleram plástico; alecrim e tomilho preferem barro.
  • Plantas grandes de chão, como palmeiras e ficus, precisam de vaso pesado e estável. Use rodízios embaixo se for preciso mudar de lugar.
Suculenta em vaso de barro raso e orquídea em vaso transparente, dois exemplos de vaso certo para cada planta


​Quando trocar a planta de vaso

A planta pede vaso novo quando as raízes saem pelo furo de baixo, quando a água escorre direto sem molhar a terra ou quando o torrão sai inteiro do vaso em formato de raiz enrolada. Outro sinal é a terra secar em um ou dois dias, mesmo com rega caprichada.

A melhor época para a troca é a primavera, quando a planta volta a crescer e se recupera mais rápido. Na maioria das folhagens, isso acontece a cada um ou dois anos.

Na hora de trocar, molhe a terra na véspera, para o torrão sair inteiro. Solte com os dedos as raízes que estiverem enroladas no fundo. Coloque substrato novo no vaso maior, posicione a planta na mesma altura em que estava e complete as laterais sem apertar demais. Regue até escorrer pelo furo e deixe a planta alguns dias longe do sol forte.

​Pratinho embaixo do vaso e água parada

O pratinho embaixo do vaso protege o piso, mas a água que fica nele precisa ser descartada de 15 a 30 minutos depois da rega. Vaso apoiado em água o tempo todo puxa essa umidade de volta e encharca a raiz.

Atenção: água parada em pratinho e cachepô é criadouro do mosquito da dengue. A orientação de saúde pública, com base em material do Ministério da Saúde, é evitar pratos sob os vasos ou, se quiser mantê-los, enchê-los com areia até a borda, o que mantém a umidade sem deixar lâmina de água exposta.

Em varandas e áreas externas, pés de vaso ou pequenos calços entre o vaso e o chão ajudam a água a escorrer e evitam manchas no piso.

​Antes de ir à loja

Separe a planta que você quer replantar e meça o diâmetro do vaso atual com uma fita métrica. Anote esse número e some de 2 a 5 centímetros: é a medida do vaso novo. Na loja, vire o vaso de cabeça para baixo e veja o furo antes de olhar cor e acabamento. Se a planta é suculenta, cacto ou erva de sol, vá de barro; se é folhagem tropical, plástico ou cerâmica esmaltada. Essa é a forma mais prática de escolher vaso para plantas sem errar na primeira compra.

​Perguntas frequentes sobre vasos para plantas

​Posso plantar direto num vaso sem furo?

Dá, mas é arriscado e exige rega muito controlada, com pouca água e a terra secando entre uma rega e outra. Mesmo assim, a água tende a se acumular no fundo sem você perceber. O caminho mais seguro é usar o vaso sem furo como cachepô, com um vaso plástico furado dentro, ou fazer o furo com broca para cerâmica.

​Vaso de barro precisa de algum preparo antes de plantar?

Vaso de barro novo e seco absorve muita água da terra nas primeiras regas. Deixe-o de molho num balde de água por algumas horas antes do plantio. Com o tempo, ele pode criar manchas brancas por fora, que são sais minerais da água e do adubo. Elas não fazem mal à planta e saem com escova e vinagre diluído.

​Que tamanho de vaso usar para uma muda pequena?

Para mudas de saquinho ou de vaso de 8 a 10 centímetros, um vaso de 12 a 15 centímetros de diâmetro costuma ser suficiente. Resista à vontade de plantar já no vaso definitivo grande. A muda cresce melhor quando as raízes ocupam a terra aos poucos, e você troca de vaso de novo depois de um ou dois anos.

​Vaso de plástico esquenta demais no sol?

Vasos plásticos escuros, de preto ou marrom, podem esquentar bastante no sol forte da tarde e aquecer as raízes. Em varandas ensolaradas, prefira plástico claro, barro ou cerâmica, ou coloque o vaso plástico dentro de um cachepô. Para plantas que ficam dentro de casa, longe do sol direto, o aquecimento não costuma ser problema.


O cuidado de escolher o vaso lembra uma imagem antiga de barro e oleiro.

"Mas agora, Senhor, tu és o nosso Pai. Nós somos o barro, e tu és o nosso oleiro; e todos nós somos obra das tuas mãos."
Isaías 64.8 (NAA)

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